Atol
Definição:
Recifes de coral em forma de
anel ou fechadura fechando uma lado.
Na
rota que liga o Brasil a Europa durante vários séculos existiu um perigo a
navegação e muitos navios tiveram seu fim nas águas do que hoje chamamos de
Atol das Rocas. A oitenta milhas de Fernando de Noronha e 144 do continente, o
Atol das Rocas é um local único , pois em todo o Atlântico Sul esta é a única
formação de atol existente. O ponto mais alto de Rocas está apenas a três
metros acima do mar e por isto que ele passava facilmente desapercebido pelos
navegantes menos experientes. O perigo a navegação foi amenizado com a
costrução do farol em 1881 em uma das duas pequenas ilhas existentes no
atol. A ilha que recebeu as construções do farol, da casa do faroleiro e da
cisterna até hoje é conhecida como ilha do faro, a segunda ilha recebe o
nome de cemitério, porque ali foi enterrada a tripulação de uma fragata
inglesa que naufragou no sec XVIII.
Rocas é cercada por lendas e histórias de pescadores que dizem que as almas
dos naufragos perambulam pelas ilhas a procura de água. Não existe sequer
uma gota de água em todo o atol. Uma familia inteira de um faroleiro
morreu de sede em Rocas. O filho do faroleiro deixou a cistérna aberta e toda
a água doce foi embora e em menos de uma semana a mulher e as duas crianças
morreram de sede e o faroleiro já fraco e desidratado foi resgatado por um
navio mas morreu quando chegou a Natal. Para atrair a atenção do navio o
faroleiro ateou fogo a casa e hoje não existe nada mais do que algumas
paredes da casa e a antiga torre do farol.
Atualmente
um farol automático, movido a energia solar, dispensa a necessidade da presença
humana no local. Apesar disto o Atol continua a ser freqüentado, mas por
pesquisadores e fiscais do IBAMA, responsáveis pela manutenção da reserva
biológica.
O "status" de reserva biológica não é novidade para Rocas que foi
a primeira reserva biológica marinha a ser criada no Brasil em junho de 1979.
Dentre as três categorias de unidades de concervação conceituadas pelo
IBAMA, as reservas biológicas são as mais restritivas no que se refere a
preservação de um ecossistema, sendo que a permanência humana no
local é limitada apenas para fins científicos, não estando nunca abertas ao
turismo. Seguindo esta filosofia, absolutamente tudo que se encontra dentro
dos limites da reserva deve permanecer intocado, desde a concha que está na
praia até mesmo as plantas, pássaros e peixes. Apesar disto, a legislação
só começou a ser comprida nos últimos anos, e Rocas finalmente recebe os
cuidados que merece.
Nesta região encontramos uma enorme diversidade da fauna marinha e graças a
condições favoráveis ai encontradas, muitas espécies de peixes procuram
esta área para reprodução e seus alevinos encontrando abrigo e comida
conseguem se desenvolver e povoar os bancos pesqueiros que se distribuiem ao
redor da região e ao longo da costa nordeste do Brasil.
Esta realidade de que o Atol e uma espécie de bercário para outras regiões
vem sendo utilizada como forma de sensibilizar alguns pesqueiros que ainda
insistem em utilizar das águas da Reserva para fins comercias.
Além de peixes e lagostas o atol serve de abrigo para inumeras espécies de
aves que o frequentam para nidificar, entre elas, o trinta réis de manto
negro, as andorinhas pretas do mar, atobás e outras tantas especies que usam
o atol como parada estratégica em suas rotas migratorias. O CEMAVE IBAMA
realiza periodicamente campanhas de marcação destas aves e avalia que cerca
de 143.000 aves frequentam anulmente o Atol das Rocas.
Tartarugas
marinhas também são encontradas por estas águas, sendo que individuos
jovens de duas especies se alimentam na região, a tartaruga-de-pente (Eretmochelys
imbricata), e a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Os adultos desta
última espécie se tilizam da praia da ilha do farol de dezembro a julho para
realizarem as suas desovas.
Aproveitando-se da grande concentração destes animais, anualmente um
importante programa de marcação é desenvolvido pelo CENTRO TAMAR - IBAMA.
Este trabalho propriciara que em um futuro bem próximo os cientistas tenham
uma idéia clara a respeito da estrutura populacional e rotas migratorias
desempenhadas por estes animais.
Além
de grande importância biológica o Atol das Rocas é tido como único
representante dete tipo de formação em todo o Atlântico sul. A exemplo dos
demais atois, Rocas esta embasado sobre o topo de um vulcão submerso, que
atualmente já esta extinto, a cadeia vulcanica onde Rocas se situa e a
mesma de Fernando de Noronha e dos rochedos de São Pedro e São Paulo. A
característica marcante do Atol das Rocas é que os organismos construtores são
principalmente moluscos vermiformes associados a algas calcárias e não de
corais, como nos famosos atois do indopacifaico. Desde as "pedras"
que circunndam todo o atol formando um anel característico, até as areias
que se acumulam na laguna interior são resultado de seres que um dia viveram,
cresceram e morreram no cume deste vulcão. As duas ilhas que se encontram no
interior de Rocas são o resultado da acumulação de fragmentos de cochas de
animais que se istalaram talvez a milhares de anos.
Muito ainda tem de ser pesquisado e descoberto sobre a formação do Atol das
Rocas e como este ecossitema esta estabelacido nos dias de hoje e por este
motivo que a atual direção da ReBio, atravéz de um convenio com a
Universidade do Rio Grande do Norte tem propiciado a realização de inumeros
trabalhos de caracter científico viabilizando a estadia de pesquisadores no
local e contribuindo para a formacao prática de profissionais na áreas de
biologia.
Em tempos que o Brasil vem sendo questionado adiministrativa e até
ideologicamente só nos resta aplaudir a iniciativa ousada deste grupo da
ReBio de literalmente arregaçar as mangas e cosequir viabilizar sua atuação
neste local tão remoto e ao mesmo tempo ameaçado.

Visão panorâmica do Atol
das Rocas
